Sérgio Moro no Roda Viva expõe seu descontentamento diante do impasse do STF

Juis Sérgio Moro sendo entrevistado no programa Roda Viva da TV Cultura (Imagem: Reprodução/TV Cultura)

Em entrevista concedida ao programa Roda Viva da TV Cultura na noite de ontem (26), Sérgio Moro defendeu que condenados à prisão em segunda instância devem cumprir suas penas e que o não cumprimento caracteriza "um passo atrás" e "favorece a impunidade". O programa foi comandado pelo colunista Augusto Nunes, que fez sua última apresentação no Roda Viva depois de cinco anos como âncora do programa.

Moro comentou sobre as dezenas de condenações e desvios de dinheiro público dos setores da saúde e educação


O magistrado evitou falar diretamente do caso do ex-presidente Lula, e citou que existem 114 processos de condenação já confirmados como crimes contra a administração pública, peculatos que chegam R$ 20 milhões e são desviados da saúde e educação, prejudicando a população. Também informou que há muitas condenações de doleiros, pedófilos e traficantes, "E isso estou falando de um universo pequeno que é o local onde eu trabalho. Vamos pensar isso em todo o território nacional", completou.


O que acontece se o habeas corpus for aceito pelo STF no próximo dia 04 de abril


Caso o Supremo Tribunal Federal (STF) decida por uma jurisprudência concedendo o habeas corpus pedido pela defesa de Lula, isso abriria precedentes muito ruins, pois criaria em tese, argumentos sólidos aos advogados de defesa de todos os condenados em segunda instância do Brasil.

Moro propôs ainda que mesmo com uma decisão do STF a favor de uma jurisprudência, pode-se ainda recorrer aos candidatos à Presidência da República nas eleições deste ano de 2018, sobre suas posições com relação a impunidade a corrupção e solicitar inclusive o restabelecimento à execução de pena através de uma Proposta de Emenda à Constituição, afirmou a magistrado. 

Já existe uma proposta parecida do deputado Alex Manente, líder do PPS (SP), mas sua aprovação é complicada, devido a atual formação do Congresso.

O Juiz não mencionou em detalhes o caso do ex-presidente, mas comentou sobre a possível prisão de Lula


O pouco que o Juiz Sérgio Moro se referiu sobre a possível prisão do ex-presidente Lula que pode ocorrer a partir do próximo dia 04 de abril, ele alegou que se trata apenas de acatar as ordens do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4), caso a sua prisão seja determinada.